26 mar 2025
Idiotice Humana e o Mundo Corporativo

A Idiotice Humana e o Mundo Corporativo

Resumo: Desta vez trago minha reflexão sobre a influência nefasta do Corporativismo nas atividades e na vivência social da Humanidade. Há necessidade de ações simples que priorizem a valorização moral dos Seres Humanos e possar trazer melhorias nas relações da Humanidade.


Triste e infelizmente, o mundo corporativo tem movido o restante do mundo humano. E quando eu digo, “tem movido o mundo humano”, eu estou querendo dizer exatamente isso. Ou seja, todas (absolutamente todas) as ações “humanas”, há muito tempo, têm sido consequências de atitudes e ações puramente corporativas e nada humanísticas, o que tem gerado um imenso desastre ético para a humanidade, o que tem produzido situações imorais e inconsequentes.

A humanidade se idiotizou e se ridicularizou na proporção direta em que investiu em interesses cada vez menores, mais insignificantes e menos humanas. O “homem bom” (que vive para o bem da humanidade) está, ao longo do tempo, sendo suplantado pela condição de “bom homem” (que vive apenas para obedecer e servir a outros homens). Esta diferença entre o sujeito, o objeto, no que tange a bondade e a obediência humana está complicando muitas das ações atuais da humanidade e isso tem ficado progressiva e perigosamente mais significativo.

PONDÉ (2022)3 disse que: “basta olhar o mundo corporativo para ver como a estupidez e o “progresso” sempre se dão muito bem”. Ainda que minha ideia de progresso não seja a mesma que a do autor, tenho que concordar que, na verdade, aquilo que a maioria das pessoas ainda entende como sendo progresso, continua prevalecendo na mente dos “super-homens” corporativos e da sociedade como um todo. Desta maneira a incitação da estupidez é realmente muito amiga do mundo corporativo.

Em certo sentido, o homem bom virou o homem bobo e idiota, por conta das implicações do mundo corporativo, enquanto, por outro lado, os corporativistas viraram gênios (“super-homens”) que dominam os idiotas, tolos e bons humanos. O valor do ser humano hoje é dependente de quem mais atende aos interesses dos gênios superiores (“super-homens”), os quais se esqueceram que todos os humanos devem ser iguais em direitos e deveres.  É preciso discutir e rever esse descalabro social e humanitário.

Tudo o que tem acontecido nos últimos anos é consequência da experiência profissional agressiva e insensível, da imposição corporativa e da prioridade trabalhista e funcional do “ser humano”. No passado, tudo era bastante diferente. O ser humano era o sujeito que criava e desenvolvia a condição que lhe gerava o trabalho, o sustento e a evolução da humanidade, além de lhe conceber os devidos qualificativos que eram necessários para realizar e conduzir determinadas funções profissionais. A função profissional era o objeto exclusivo do homem e de sua vontade pessoal.

Hoje, o ser humano é uma peça, uma simples figura, ou melhor, ele se resume na “triste figura de Dom Quixote”, porque tem que se fazer escravo de sua função para poder ser capaz de sobreviver na “grande floresta” das corporações. Hoje o ser humano é o objeto de manobra das corporações e se assumiu como marionete de suas funções sociais e profissionais. A vontade humana perdeu espaço e as diferentes opções de vida deixaram de ser importantes. O trabalho não é mais uma escolha orientada pela vontade, mas, sim, uma exigência determinada pelo sistema, que, ao seu modo, cria regras e impõe obrigações, direta ou indiretamente, a todos os seres humanos.

Os direitos de pensar e agir de acordo com a vontade e com as afinidades na escolha das atividades profissionais, embora ainda existam, são pouco significativos e deixaram de ser importantes. Hoje, cumprir e fazer o desejo de outros é que passou a ser uma regra fundamental e quem não quiser concordar, que se dane. As pessoas simplesmente não conhecem mais as pessoas e nem querem conhecer, talvez, até para sofrer menos. Quanto menor for o contato com outros humanos melhor para tudo e para todos, haja vista que esse contato poderá trazer empecilhos.

Antigamente se dizia, mais ou menos assim. Cadê o João?  Sim, o João, irmão de Tereza e primo da Solange, aquele que é marceneiro e que fez o guarda-roupa da casa da tia Maria. O João, filho do Tião e da Cida, neto seu Virgílio do armazém, que gostava de tocar uma viola e era muito bom de bola, quando jovem. Quando eu me lembra daquele petardo que ele tinha naquela perna esquerda, fico com saudades.  Quer dizer, o João era uma figura única, cheia de qualificativos e todos os seres humanos, a seu modo, eram assim. Qualquer um tinha muitas informações para dar sobre todos os demais.

Agora se qualquer um pergunta pelo João, dificilmente alguém vai além de “que João”? Isso acontece, porque ninguém sabe mesmo nada a respeito do João ou porque todos “conhecem” tantos Joãos, que fica difícil identificar.  Hoje é mais ou menos assim; preciso de um marceneiro e não encontro “nenhum João” que possa me ajudar. Perceberam o marceneiro é o sujeito e o João é o objeto. Isto é, o João não é o que importa e sim o marceneiro que precisa resolver o problema de alguém.

Pois é isso mesmo, meus amigos. Nós invertemos os valores e o objeto passou a ser mais importante que o sujeito e a ter mais predicados relevantes do que o próprio sujeito. A coisa que o indivíduo faz passou a ser mais fundamental do que o próprio indivíduo e dependendo de qual seja essa coisa, ela pode ser preponderante, enquanto ele mesmo é só mais um indivíduo que está temporariamente ocupando um determinado espaço no mundo.  

É claro que existe uma explicação para esta situação vexatória e o pior de tudo é que a explicação é fácil e lógica: “tristemente, as pessoas não conhecem e nem querem conhecer outras pessoas e só se importam com quem elas são”. Saber quem são as pessoas não tem mais cabimento no mundo corporativo em que vivemos e, pelo que parece, vamos continuar “vivendo” assim, se é que isso pode ser chamado de “viver”! Perdemos nossas referências pessoais e supervalorizamos as necessidades situacionais e as referências profissionais corporativas.

Qualquer grupo social hoje, com 10, 100, 500, ou 1000 pessoas (o tamanho do grupo é o que menos importa), não se conhece, ou poucos são os que se conhecem, de fato, dentro do grupo. Isso mesmo: as pessoas convivem, mas não se conhecem! Antes, todo mundo conhecia e sabia algo sobre as pessoas dos seus grupos sociais e até comentavam sobre suas respectivas histórias de vida. Porém, hoje em dia, o que vale é saber: “o que faz esse sujeito que está aí na fila do pão”? As pessoas, são meras “coisas” que exercem determinadas funções e que compram seus pães fresquinhos todos os dias e nada mais.

Ora, como resolver essa questão incômoda e naturalmente ilógica? Como fazer os seres humanos voltarem a entender que antes de qualquer coisa, os demais seres humanos são nossos semelhantes. Isto é, são entes biológicos pensantes, capazes de resolver problemas, sobretudo são naturalmente bons sujeitos e precisam de convivência real com outros seres humanos. Somos seres humanos e, como tal, devemos valorizar, prioritariamente, a humanidade, antes de qualquer outro aspecto. Entretanto, hoje o que o ser humano menos tem referência e menos identifica são, exatamente, os outros seres humanos.

O corporativismo chegou ao ponto de fazer o ser humano passar a ser, deliberadamente, inimigo dos outros seres humanos. Infelizmente a busca pelo poder e pelo dinheiro fez o ser humano desenvolver valores maiores que a própria humanidade. Além disso, o egocentrismo fez o ser humano se esquecer que ele é incapaz de viver sozinho. Isto é, sem se relacionar pessoalmente e sem ter outros seres humanos à sua volta. 

Deste modo, a humanidade está trocando valores verdadeiros por falácias e especulações comerciais frágeis, impostas pelo corporativismo. Enfiamos os pés pelas mãos e trocamos a pessoa, pelo trabalho, a razão pelo dinheiro e a sociedade humana pela solidão. Nossos valores naturais básicos e fundamentais estão sendo perdidos rapidamente por conta dessas novas posturas adquiridas.

O ser humano está progressivamente mais longe (distante) da sua condição básica de ser humano. Infelizmente, ninguém quer saber mais nada sobre ninguém! As pessoas acreditam piamente que elas se bastam para “viver” bem. Hoje não existem mais seres humanos (pessoas) importantes, mas certamente existem inúmeros “CEO” fundamentais para o mundo corporativo e apenas isso importa e inspira as sociedades, o resto é mera e fortuita consequência.

Nos diferentes grupos sociais, sejam eles profissionais, assistenciais, clubistas ou quaisquer outros, as pessoas são o que menos importa! E o que é ainda muito mais triste e terrível é que, por conta disso ninguém quer e nem precisa conhecer mais ninguém. Nesses grupos, os seres humanos “vivem” juntos e se suportam (aturam). Porém, se fossem depender apenas de seus respectivos egos, já teriam se livrado das outras pessoas do entorno, que só atrapalham os seus parcos interesses.

Ninguém mais conhece e muito menos admira, os sujeitos especiais que a história consagrou, porque suas excepcionalidades, simplesmente, perderam suas importâncias históricas. Hoje não existem “grandes líderes”, “grandes inventores”, “grandes heróis” ou simplesmente “grandes sobreviventes”. Hoje, todos nós, somos apenas migalhas dos pães amassados pelos interesses das corporações, gerenciadas por “super-homens” insensíveis.

O ser humano atual não tem coragem e nem vergonha. Pois, falta coragem para duvidar e vergonha para contrariar.  O ser humano virou fantoche dos sistemas políticos, econômicos, midiáticos e empresariais. Quem ousa ser contrário aos sistemas estabelecidos pelas corporações é, simplesmente, descartado da realidade instalada no local e se possível das outras realidades próximas também.  Mais desagradável ainda e saber que quase toda a sociedade, acha, aceita e concorda, que deve ser assim mesmo.

Os grupos sociais não enobrecem mais ninguém. Quem foi o último sujeito que você ouviu falar como exemplo de ser humano para a Humanidade? Papa João Paulo II?  Madre Tereza de Calcutá? Mahatma Gandhi? Qualquer uma dessas pessoas, já faz, pelo menos entre 20 e 70 anos que morreram. Ou seja, faz pelo menos 20 anos que não aparece ninguém para servir de exemplo à humanidade.  Pois é, está parecendo que não existem mais pessoas para servir de exemplo e capazes de mudar o mundo para o bem da humanidade.

O final do século XX e início do século XXI tem mostrado muitos seres humanos inteligentes e acima da média. Entretanto, ainda não nos trouxeram e nem apresentaram grandes sujeitos em valores humanitários. Estamos carentes desses valores, hoje estamos mais para máquinas. Nos tornamos autômatos, isto é, robôs programados para servir aos interesses dos “super-homens”.

Qualquer sujeito normal, hoje, se resume a apenas um número de CPF ou coisa equivalente e um endereço, mas ainda existem muitos que não têm nenhuma dessas duas coisas. Vida, Família, História, Valores, Sonhos e Realizações pessoais ou coletivas são meras recordações que não existem mais. Antigamente o indivíduo tinha um nome, uma identidade e um currículo de vida, com vários características e atividades. O indivíduo, qualquer que fosse, tinha sempre uma história para ser contada sobre sua vida.

Todavia, hoje, o indivíduo tem somente algumas passagens profissionais que compõem o conjunto de toda sua experiência e nada mais. Pouco importa quem ele é, o que ele sabe e o que ele fez de relevante na sua vida ou no seu trabalho, porque esse sujeito é só mais um ocupante de um lugar dentro do sistema e que fique claro: “ele é descartável, porque ninguém é insubstituível”.

Ou seja, qualquer outro ser humano pode fazer o que ele faz. Se o indivíduo der bobeira o sistema, através de outro ser humano, simplesmente, acaba com ele. Aliás, cabe ressaltar que o corporativismo investe bastante nesta condição competitiva e extremamente danosa entre os seres humanos. Por outro lado, muitas funções já não necessitam mais nem de competição entre os seres humanos, pois já existem robôs fazendo quase tudo e agora com o crescimento exponencial da Inteligência Artificial a coisa certamente ficará pior.

Meus amigos, gente virou número e viver virou loteria! Esqueceram que as pessoas, os seres humanos, são reais e estão vivos e que os números nem existem, pois são apenas símbolos quantitativos. Entretanto, se o cidadão quiser sobreviver, ele tem que se contentar em ser apenas mais um número na sociedade. Que situação horrenda esta coisificação do ser humano, que foi criada e que está cotidianamente sendo ampliada. Esta é uma maldade profunda e contundente, que só faz sentido para os interesses corporativos e nada além disso.

Meu Deus, está faltado amor! A humanidade está carente de afetividade, de altruísmo e de companheirismo. É como eu já disse em outro artigo: “está faltando humanidade ao ser humano” (LIMA, 2020)1. Quase ninguém faz mais nada para ajudar ou pelo simples prazer de fazer. Tudo é controlado pelo deus dinheiro e gerenciado pelos impérios das economias e da superficialidade. Está muito difícil (quase impossível) ser humano no planeta dos humanos. Até quando, vamos aguentar esta situação ilógica e infeliz?

O pior e mais triste ainda é que tem “seres humanos” que acreditam que está tudo bem. Aliás, a grande maioria dos seres humanos, nem consegue perceber que está tudo mal. Além disso, ainda existe uns poucos desses seres inumanos insanos que se ufanam das pretensas benesses do sistema e da “excelente condição” da humanidade. É como diz o ditado: “a ignorância é uma benção”. Mas, eu acredito que até para ser ignorante, tem que haver algum grau de prudência e discernimento.

Como disse Bertrand Russell: “o problema do mundo é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas”.  Se os idiotas tivessem menos certeza, talvez o mundo fosse muito melhor e o poder do corporativismo, por óbvio, seria menos influente na mente humana. Entretanto a realidade é outra e Bertrand está cobertíssimo de razão. Os idiotas já dominaram o mundo com suas falsas certezas e isso faz muito bem às corporações e aos corporativistas.

Na verdade, estamos apenas sobrevivendo como os demais organismos vivos do planeta. Continuamos com nossas funções biológicas vitais básicas (Nutrição, Respiração, Circulação e Excreção) e alguns de nós, até, ainda conseguem reproduzir. Contudo, certamente nós já passamos por dias melhores e hoje, não conseguimos nos manter tão bem. Nossa espécie está em declínio ético e correndo risco de extinção moral.

Além da falta de coragem e de vergonha, acima citadas, também já não temos mais quase nenhuma vitalidade e nem vivência coletiva como espécie biológica. Faz muito tempo que nossos problemas deixaram de ser nossas questões biológicas e passaram a ser questões psíquicas, afetivas e, talvez, até mesmo espirituais. A humanidade precisa reagir.

É necessário acordar e renascer como fênix voltando à vida. A história já nos mostrou que nossa espécie é resiliente e pode conseguir se reestabelecer. Por óbvio, temos condições de recuperar a nossa capacidade a partir das nossas próprias cinzas. Para tanto, precisamos urgentemente sair da idiotização e recuperar a nossa capacidade de ser feliz, de ser criança de acreditar que o mundo pode ser melhor e que o ser humano pode ser feliz. Temos que redescobrir a criança que existe dentro de nós para voltar a viver e não apenas sobreviver, como seres humanos normais aqui na Terra.

Além disso, é fundamental que voltemos a entender que o ser humano não pode impor regras corporativas e imperialistas a outros seres humanos, porque apesar de nossas diversidades físicas, sociais, culturais, intelectuais e mesmo econômicas. Todos nós somos seres humanos, isto é, somos unidades da mesma humanidade, que está carente e idiotizada, mas que precisa sobreviver ao novo holocausto que se estabeleceu na modernidade por conta das ações corporativistas.

Referências e Leituras Complementares

Caçapava, 19/20 de março de 2025 – 21:30 horas.
Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo (Zoólogo), Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

23 fev 2025
Rotary 120 anos

A Ética, a Natureza Humana e os 120 anos de Rotary International

Resumo: Este texto faz alusão aos 120 anos de Rotary International e reverencia a Instituição como exemplo de Postura Ética. Comenta sobre a carência de Ética no mundo e destaca o Rotary International como exemplo para ser seguido.


Nada é mais natural do que a ética, assim para ser ético, a princípio, basta agir o mais naturalmente possível. Entretanto, a humanidade, desde os primórdios da história, tem se envolvido progressivamente mais com a sua sociabilidade e, para tanto, alguns padrões naturais foram, também gradativamente, sendo substituídos por padrões sociais adquiridos e adaptados aos interesses específicos das sociedades dominantes.

Ou seja, a humanidade, ao longo da história, foi abandonando, cada vez mais, a sua condição natural primária e se aproximando de uma condição social secundária maior.  Pois então, os valores e atitudes éticos foram sendo deixados de lado e perdidos, exatamente, para atender as modificações comportamentais assumidas no intuito de destacar o interesse maior das diferentes sociedades.

Em outras palavras, deixamos de lado a pureza da ética e assumimos a contaminação sociológica causada pelos interesses menores oriundos das diversas sociedades e assim, esquecemos, por exemplo, a gentileza natural e desenvolvemos, cada vez mais, a bajulação e o fingimento artificial. Mascaramos a nossa natureza e investimos numa realidade artificial forçada para manter as aparências e outros interesses menos nobres, em detrimento da ética e da verdade.

Em alguns momentos, particularmente nos últimos tempos, essas posturas forçadas parecem ter sido favoráveis e vantajosas para os que detêm o poder nas sociedades e assim eles criaram formas de paulatinamente irem invertendo os valores, até chegar ao atual estado de coisas, onde ser ético parece ser arcaico, errado e para muitos, até incoerente e inconsequente. Criamos uma “ética” atrelada diretamente à conveniência e ao interesse momentâneo e à vantagem pessoal ou daquele segmento social prioritário e deturpamos a realidade fraterna, sincera e necessária nas relações sociais humanas.

Antes que eu seja mal-entendido, quero deixar claro que não estou dizendo que esta seja uma questão apenas da modernidade. Certamente não é isso, porque, na verdade, a interferência de outros interesses sempre existiu nos grupos sociais humanos. Entretanto, na modernidade, tem sido possível identificar um contingente maior dessas atitudes e um acúmulo também maior desses interesses estranhos e indevidos. Esse fato, consequentemente, tem produzido uma ausência também maior da ética nas relações sociais humanas e uma degradação crescente dos valores humanos, do planeta e da humanidade.

É óbvio, que, na espécie humana, sempre houve pessoas éticas e de boa índole e pessoas antiéticas e de índole questionável. Pois então, esses dois grupos foram se misturando ao longo da história e as dificuldades em distingui-los foi ficando cada vez mais complicada e hoje, em muitos grupos, é quase impossível dissociar esta situação equivocada e preocupante para a humanidade. Ao que parece, a humanidade se contaminou e se degradou densamente, porque a sociedade se perverteu mascaradamente de maneira sorrateira e intencional.

Em muitas sociedades, o bem foi relativizado e o erro virou acerto. Ou melhor, as pessoas aparentemente se convenceram de que errar pode ser bom e de que acertar pode ser ruim, por conta da interferência nas ações e nos valores. Assim, nesse caos ético, o conceito de ser feliz, passou por cima de qualquer outra conotação, sem nenhuma ética e levar vantagem passou a ser a única coisa importante para muitos seres humanos dentro das diferentes sociedades. A prioridade individual passou a ser a principal maneira que movimenta muitos humanos dentro das sociedades modernas. Como o outro não importa, a humanidade perde e a ética, quando não desaparece totalmente, é considerada como mero detalhe, que pode e deve ser burlado sempre que for preciso., porque o fim justifica os meios.

Assim, maioria dos seres humanos, ou, pelo menos, a maioria dos seres humanos que influem diretamente nas sociedades e no comportamento social da humanidade, tem orientado às diferentes sociedades humanas e grupos sociais a procurarem facilidades independentemente da ética e dos interesses humanos primordiais. Desta maneira, as sociedades foram galgando e adotando práticas sociais antinaturais contrárias a ética e consequentemente descaracterizando as condições primárias da humanidade.

O homem moderno, não é diferente do homem primitivo, pois suas necessidades e desejos, a rigor, continuam sendo os mesmos, porém, os mecanismos utilizados para conseguir, modernamente, essas necessidades e desejos humanos são cada vez menos humanitários e cada vez mais ultrajantes da condição fundamental e ética da própria humanidade. As sociedades e seus interesses defloraram a humanidade e está, por mais que tente, não consegue, nem mesmo, minimizar os danos causados, quanto menos impedir suas consequências.  Contudo, o pior, é que a maioria das entidades humanitárias e sociais não se atenta a esta questão e infelizmente, a caravana vai seguindo seu caminho errado.

Esta mácula social, sempre agravante e violenta, vai devassando a humanidade de uma maneira cruel e, como a massa populacional humana se divide, aqui e ali, em vontades e interesses diversos, fica sempre mais difícil de voltar a razoabilidade e reassumir a condição ética primitiva.  O desejo de qualquer ser humano, foi, é e sempre será, ser feliz, mas as ideias e conceitos efetivos de felicidade são muito distintos nas diferentes sociedades.

 Quer dizer, a humanidade busca a felicidade, mas o problema é que as sociedades têm trabalhado a massa humana no sentido de conseguir as suas próprias e respectivas ideias de felicidade a qualquer custo, doa a quem doer. Pois então, é esta ação insana que tem ampliado e produzido o afastamento da ética e que tem causado o grande estrago na humanidade. O homem social atropelou o homem natural e as consequências estão aí para todos verem. É possível afirmar numa única frase que: “está faltando humanidade aos seres humanos”.

A degradação ambiental planetária, a falta generalizada de respeito, o abandono dos princípios éticos, a perda da educação, da gentileza, da afetividade e crescimento insano do egoísmo e do corporativismo entre os humanos, por óbvio, são os tristes dividendos adquiridos desse modo de vida hiper sociologizado e inconsequente. Deste modo, na busca insana das vantagens pessoais ou grupais, temos deturpado o conceito verdadeiro de felicidade e, como já foi dito acima, as sociedades vem atropelando e destruindo a humanidade, para conseguir alcançar a felicidade da maneira como entendem. Ou melhor, as sociedades humanas estão esquecendo que elas são humanas e que precisam respeitar, prestigiar e procurar manter os seres humanos para continuarem existindo.

A natureza humana é que está sendo aviltada pela postura social antiética das sociedades modernas. Essa rota precisa ser freada, reavaliada e modificada, porque necessitamos colocar as coisas no eixo outra vez, seguindo os princípios humanitários e a rota natural da ética. Temos que começar a trabalhar numa nova postura comportamental dos seres humanos individualmente para tentar garantir um pouco mais de segurança social e da efetiva paz humanitária.

É preciso trabalhar muito nessa direção, porque, considerando que “a ética é um princípio que não pode ter fim”, é urgente que voltemos a dar o devido valor a este princípio, para poder continuar, a partir dele. Se nossa máxima rotária, acima citada, for realmente verdadeira e eu penso que seja, temos que ser mais contundentes nas nossas ações e precisamos entender e divulgar mais claramente ao mundo, que “o fim da ética tende a levar inexoravelmente ao fim trágico da humanidade”. Até porque, o nosso objetivo rotário e humanitário, que prioriza a ética, é totalmente oposto a essa possibilidade.

Assim, precisamos propor uma mudança efetiva no comportamento humano, na qual a vida planetária e, em especial, a vida humana, sejam realmente os principais protagonistas das diferentes sociedades humanas. O Rotary International, como uma entidade humanitária que, neste 23 de fevereiro de 2025, completa 120 anos e se constitui na instituição de maior credibilidade no planeta, tem que se utilizar do grande potencial, que é esse respeito internacional e se fazer presente na linha de frente das ações, promovendo intensas atividades na tentativa de conseguir desenvolver essa mudança comportamental na humanidade. 

Companheiros, temos que trabalhar para resgatar a natureza humana perdida, levando a importância da ética pelo mundo afora. Além disso, ainda temos necessidade de demonstrar que somos cientes e conscientes de que a ética também é o caminho fundamental para conseguirmos nossos intentos humanitários.  Ou seja, temos que ter em mente de que só resolveremos as questões éticas, sendo exemplos virtuosos de seres humanos, preocupados com o Planeta e com a vida. Quer dizer, como rotarianos, temos que manifestar, publicamente, nossa postura como cidadãos éticos e preocupados com a Terra e com a qualidade de vida de todas as espécies viventes, em particular, da espécie humana.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor, Ambientalista e Rotariano (Membro associado do Rotary Club de São José dos Campos-Oeste)

29 jan 2025
Ponto de Vista: sobre COPs e Conferências do Meio Ambiente?

Ponto de Vista: sobre COPs e Conferências do Meio Ambiente.

Resumo: Neste artigo, apresento meu Ponto de Vista sobre as Conferências das Partes e as Conferências Brasileiras do Meio Ambiente propostas pelo Governo Federal e que estão se multiplicando pelos municípios brasileiros.


Estamos aqui nesta Conferência Municipal para defender nossas ideias e nossos interesses no que diz respeito às questões ambientais, mas infelizmente nosso poder de fogo é insignificante e, por mais que possamos e devamos propor, certamente muito pouco poderemos, de fato, realizar. Entretanto, temos que ter mente de que esse não é um problema apenas nosso. Na verdade, esse é um problema para os 5.665 municípios desse país e, possivelmente, para milhares de outros municípios pelo mundo afora. Mas, vou falar apenas do Brasil, porque é o que me cabe, haja vista que este é o meu país.

Territorialmente, somos o quinto maior país do mundo e o primeiro em Biodiversidade, o que nos garante um potencial imenso de recursos econômicos (o maior de todo o planeta), a partir dos serviços ambientais, atingindo cerca de 3,3 trilhões/ano. Contudo, o que mais temos desprezado é exatamente essa riqueza natural que é representada pela nossa Biodiversidade, pois não fazemos o uso devido desse tremendo potencial. Historicamente, os Governos Nacionais se sucedem e seguimos sendo uma colônia, mesmo depois de completarmos125 anos de República.

No Brasil, vale o que a União diz e o que o Estado quer acatar. Aos Municípios cabe a apenas a obrigação de fazer, aquilo que os entes administrativos superiores deixam de lado, porque são questões politicamente desagradáveis. Os entes administrativos superiores impõem aos municípios, pela goela abaixo, tudo aquilo que eles querem fazer, mas não têm coragem de assumir e os municípios que se danem na resolução dessas questões. Vou contar uma curta história para explicar o que estou tentando dizer.

O Brasil, assim como a grande maioria dos países do mundo, também é signatário das Conferências das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, genericamente conhecidas como Conferências das Partes (COPs), desde que elas começaram (COP 1 – Berlim, Alemanha, 1995). O Brasil assinou o Protocolo de Quioto, proposto na COP 3 (Quioto, Japão, 1997) e depois também assinou o Acordo Paris na COP 21 Paris, França, 2015 e, obviamente, se tiver mais algum papel o país assina, porém não cumpre. Aliás, da mesma maneira que os demais países fazem. Ora, as COPs já viraram um grande espetáculo teatral, onde se participa e se mente coletivamente para o mundo inteiro.

Neste ano de 2025, a COP 30 será aqui no Brasil, em Belém e o Governo Federal já está fazendo seu festinha, promovendo Conferências de Meio Ambiente e falando suas bobagens sobre a questão. É bom lembrar que, ao contrário do que disse o Presidente, já existiu COP na América do Sul (COP 4 e COP 10, ambas em Buenos Aires, na Argentina), além da (COP 21, em Lima, no Peru), onde já se discutiu muito a questão amazônica, já que o Peru é um dos países da região Amazônica. Assim, também não será a primeira vez que vai se discutir sobre a Amazônia na COP, como também disse o Presidente.

Pois então, minha expectativa pessoal é de que, como tem ocorrido desde 2016, na COP 22, em Marraquexe, no Marrocos, nada de nova vai acontecer. Em 2015, o Acordo de Paris, assinado pelos 195 países membros da Convenção do Clima a toda a União Europeia, estabeleceu a obrigação de participação de todas as nações e não apenas países ricos, no combate às mudanças climáticas.

O Acordo ainda definiu que os países signatários deveriam manter o aquecimento global “muito abaixo de 2ºC”, que é o ponto a partir do qual cientistas afirmam que o planeta assume um futuro sem volta com efeitos devastadores, como elevação do nível do mar, eventos climáticos extremos (como secas, tempestades e enchentes), além de falta de água e alimentos. Aliás, como já temos visto acontecer. A tentativa efetiva era envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC. Todavia, esse ponto limite de até 1,5ºC já foi ultrapassado, em junho de 2023, e segue aumentando, desde então. E assim, alguns países têm deixado de participar das COPs, porque não acreditam mais nelas.

O Acordo de Paris também marca a questão do financiamento climático, ou seja, de quem irá pagar a conta das ações necessárias para o sucesso do próprio acordo. Ficou acertado que os países desenvolvidos irão bancar US$ 100 bilhões por ano, em medidas de combate às mudanças do clima e adaptações nos países em desenvolvimento. Porém, até o ano passado (COP 29, Baku, no Azerbaijão), ainda estava sendo discutido o valor total do financiamento, que chegou a ser de US$ 300 bilhões, mas voltou para os US$ 100 bilhões e agora estão dizendo que o financiamento deverá ser efetivamente assinado em Belém. Vejam bem, já se passaram 9 anos, serão 10 até Belém, e ainda está se discutindo o valor do financiamento.

Deste modo, a cada COP, vai se adiando e atrasando propositalmente o pagamento. Por outro lado, mesmo que em Belém saiam, finalmente, os US$ 100 bilhões, certamente hoje esse valor já será pequeno, porque as necessidades serão maiores. Ora, isso só pode ser brincadeira!

Peço Vênia, Senhoras e Senhores, mas creio que, em Belém, mais uma vez, nada irá acontecer. Acredito que vão continuar discutindo números, o tempo continuará passando e infelizmente vai se chegar aos absurdos e insustentáveis 2,0 °C e aí a vaca irá para o brejo de vez, porque, na verdade, é tudo falácia e ninguém quer financiar nada. O mundo não tem jeito, mas alguns Municípios, os lugares onde realmente as coisas acontecem, podem ser menos infelizes e eu espero que Caçapava seja um desses lugares.

O Governo Federal já demonstrou que espera que Caçapava e o Vale do Paraíba se danem com esse monstrengo, essa torradeira, essa fatídica termelétrica que querem nos empurrar de qualquer jeito. Os municípios e sua gente, que se estropiem, porque o Governo Federal quer construir mais de 30 mega termelétricas no país, Caçapava principalmente, que foi premiada com a maior de todas, com capacidade para 1740 Megawatts de Potência. Que fique claro que o Governo Brasileiro assinou um documento, na COP 26, Glasgow, na Escócia, 2021, onde declarou que iria reduzir em 50% as emissões de Carbono, até 2030.  Como vai reduzir emissões de carbono espalhando dezenas de termelétricas no país. Parece que De Gaulle tinha mesmo razão, quando disse que: “o Brasil realmente não é um país sério”.

Meus amigos, estamos no mato sem cachorro, mais perdidos do que cego em tiroteio e a justiça, que também não costuma ser muito séria nesse país, parece ser a nossa última esperança. Deus nos ajude, porque parece que estamos fadados a engolir esse monstro poluidor que está nos assustando violentamente. Enquanto isso, o Governo Federal no ilude com esta Conferência de Meio Ambiente. Desta maneira, alguém ganha tempo e dinheiro nas termelétricas, seguem desmatando a Amazônia descaradamente, destruindo o que podem da Biodiversidade Nacional sem nenhum escrúpulo e falando muito sobre Educação Ambiental. Agora mesmo, o BNDES acaba de divulgar que irá financiar novas termelétricas no Brasil.

É muito triste, mas a sensação é de que o Meio Ambiente e as questões ambientais não interessam aos Governos Brasileiros. O que será de nossos filhos, netos e bisnetos? Que país deixaremos para o futuro?

O Governo Federal, historicamente, não está nem aí para o Meio Ambiente, desde Estocolmo (1972), quando o Brasil declarou abertamente para todo mundo, que aqui não estávamos preocupados com a poluição, temos caminhado na contramão dos interesses ambientais. Assim, creio que essas Conferências de Meio Ambiente sejam apenas para amolecer a gente, ludibriar a opinião pública e continuar servindo aos interesses de empresários gananciosos. Na verdade, vão continuar degradando o meio ambiente e acabando com qualidade de vida das pessoas nos diferentes municípios, alegando inverdades.

O Governo Estadual, por sua vez, assiste a tudo e não faz nenhuma menção de ajudar ou interferir na questão e o município, onde tudo acontece, sofre e vai sendo progressivamente destruído. Os Governos Municipais, quando têm algum recurso financeiro, ainda tentam fazer alguma coisa, mas a grande maioria é incapaz de mostrar qualquer reação, haja vista que, do ponto de vista econômico, são totalmente dependentes dos níveis superiores. Meu Deus, até quando?

Até quando, vamos continuar assistindo esse “show” macabro de desinteresse pelo país, de incompetência administrativa e de desrespeito com a vida dos cidadãos que vivem na “Colônia-República Brasileira”, produzido por quem mente descaradamente para a população? Por que não se diz a verdade à população? Por exemplo, por que o Governo Federal não afirma que hoje, o país tem duas vezes mais capacidade de energia instalada do que o é necessário? Por que o Governo Federal não diz que, atualmente o Brasil não está precisando de energia elétrica? Por outro lado, se o país não precisa de energia, então, para que servem essas termelétricas?

Além disso, temos 365 dias de sol, 8.500 quilômetros de costa marítima (se considerarmos as ilhas são mais de 10.000 quilômetros total de litoral), temos mais água continental no estado líquido que qualquer país, temos o maior rio do planeta e inúmeros rios altamente caudalosos. Podemos gerar energia solar, eólica, de marés, de correntes e mesmo as hidrelétricas, obviamente, em lugares compatíveis e não precisamos continuar queimando gás ou qualquer outra desgraça desses combustíveis fósseis que só entopem a atmosfera de CO2 e outras porcarias, como NOx (Óxidos de Nitrogênio), SOx (Óxidos de Enxofre), O3 (Ozônio) e vários Hidrocarbonetos e ainda fazem desaparecer alguns dos recursos hídricos.

Os Governos Brasileiros ainda não entenderam ou talvez não queiram entender, que o Brasil é maior que todos os problemas ambientais que o país pode ter. Sendo assim, na área ambiental, para resolver quase tudo, basta apenas utilizar sustentavelmente o potencial natural do país, adaptando as soluções baseadas na natureza, porque assim seremos imbatíveis e teremos mais qualidade de vida. Nós podemos, devemos e queremos um país melhor, mas precisamos de Governos que também queiram isso. Governos que não mintam para nós e somente se preocupem em prestigiar interesses de empresários inescrupulosos e de políticos safados que só querem enriquecer, vendendo o país, matando sua gente e acabando com toda Biodiversidade.

Chega de enganação! Vamos exigir dos Governos Federal e Estadual aquilo que é realmente melhor para o Brasil, para os Estados Brasileiros e, principalmente, para as pessoas que vivem e estão tentando sobreviver nos diferentes Municípios desse país continental. Nesse sentido, ao invés de Conferência Municipal de Meio Ambiente, que tal se o Governo Federal começar a agir decentemente, começando por desistir da implantação dessas nefastas termelétricas? Que tal se os Governos Estaduais fossem mais contundentes na defesa de seus espaços geográficos e tentassem impedir que projetos absurdos como dessas termelétricas insanas não ocorressem em municípios de seus territórios? Penso que esta deveria ser a nossa única proposta para os Governos nesta Conferência Municipal de Meio Ambiente.

Luiz Eduardo Corrêa Lima
Caçapava, 21 de janeiro de 2025

P.S. Este é o texto que escrevi para ser lido na Conferência Municipal de Meio Ambiente, ocorrida no município de Caçapava, em 21 de maior de 2025, mas, infelizmente, não houve tempo para a leitura e por isso mesmo, estou publicando o texto aqui.

15 out 2024
O Projeto Educacional e a Educação

O Projeto Educacional e a Educação

Resumo: Neste artigo, procuro identificar os possíveis responsáveis pelo caos educacional nacional, minimizar a culpabilidade atribuída ao professor, apresentar algumas premissas fundamentais para o estabelecimento da ordem educacional, propor maior envolvimento e participação efetiva da sociedade nas questões educacionais, para tentar resolver a situação da Educação no país

INTRODUÇÃO

Vou começar minha argumentação a partir de uma frase aparentemente óbvia: “da mesma maneira que não existe aluno sem escola, não existe educação formal sem professor”. Pois então, esta é uma frase verdadeira, que ressalta a importância do professor para o aluno e para a educação como um todo. Entretanto, é preciso deixar claro que existem outros atores a serem consideradas, além do aluno e do professor, quando se trata de educação. Assim, ainda que muitas pessoas automatizem a questão e passem a entender que o professor é o único responsável pela carência educacional nacional, temos que entender que essas pessoas extrapolam e sobrecarregam o professor e isso não é honesto e muito menos verdadeiro.

O professor, por si só, não pode ser o principal artífice da grande desgraça educacional desse país. Realmente, podemos até estar vivendo uma crise, no que se refere aos profissionais do ensino no país e isso é realmente bastante ruim, porém, nem todos os professores são culpados pelo que acontece na educação. Mas, podem ter certeza de que isso não é, nem de longe, uma verdade. Tenho absoluta certeza de que ainda existe no país, muitos professores sérios, competentes e imbuídos do firme propósito de tornar o país melhor, com os brasileiros educados, conscientes, capazes e mais felizes através da ação da educação.

Historicamente, no Brasil, tem feito de tudo para tornar a Educação, cada vez, mais chata, desinteressante, complicada, absurda e quase impossível aos interesses dos jovens estudantes. Aqui, nessas bandas brasileiras, a educação, que deveria ser a solução de quase tudo, acabou sendo um grande e quase eterno problema, mas essa questão não diz respeito exclusivamente ao professor e certamente existem outros possíveis culpados a serem considerados, como veremos mais à frente.

Como não se discute muito sobre as verdadeiras questões da Educação e apenas se joga a culpa no professor, a solução parece não existir, porque os problemas só se aumentam e se agravam. O país segue se arrastando na rabeira dos ranqueamentos internacionais sobre educação. Entretanto, fica a dúvida: então, de quem é a verdadeira culpa? Será do Governo? Será da Comunidade?  Será do Professor? Será da Escola, como Instituição? Será do aluno? Será dos pais ou responsáveis pelo aluno? Ou será de toda a Sociedade Brasileira?

Efetivamente, eu não sei responder quem é mais ou menos culpado, mas entendo que a verdadeira culpa seja oriunda do resultado produzido pela mistura de todas essas coisas citadas. Baseado nesta afirmativa, resolvi desenvolver e tentar esclarecer meu pensamento, a partir de cada um desses sete potenciais e parciais causadores da nossa triste situação educacional. Isso me levou a sete constatações que estou considerando como premissas para entendimento da situação.

Deste modo, pressuponho que essas premissas sirvam de base condutora para começar as discussões, que poderão nortear os caminhos que permitirão a resolução dos nossos graves problemas educacionais. Assim, vamos discutir um pouco sobre os possíveis culpados do atual estado da educação brasileira, tentando estabelecer critérios e prioridades para a construção coletiva do projeto de Educação que o país necessita.

O GOVERNO

O Governo, como todos sabem, é responsável por estabelecer as leis que tratam da Educação Nacional. Todavia, o governo muda a cada 4 anos e cada novo governo que assume propõe uma “nova educação”, porque a que está vigendo não presta e assim, novo projeto educacional se implanta. Desta maneira, nenhum projeto de educação tem continuidade e nunca é possível saber definitivamente se ele é bom ou é ruim. Nesse momento eu já coloco minha primeira premissa sobre a questão: “qualquer projeto de educação tem que ser completado e testado para poder ser realmente avaliado”.

Como estamos sempre começando e terminando, ainda no início da implantação do projeto, nunca sabemos se esse projeto é bom ou ruim. Ou melhor, podemos até imaginar, mas não podemos afirmar enquanto o ciclo não se completar e um ciclo educacional completo, leva de 16 a 20 anos. Quer dizer, não dá para ficar mudando de projeto por qualquer picuinha ou por puro interesse político de 4 em 4 anos, como se faz aqui no Brasil.

É preciso que se defina um modelo educacional e se desenvolva um projeto que seja aplicado integralmente. Isto é, não é possível que a cada 4 anos, surja um novo governo e um novo projeto educacional. Não conseguimos continuidade de nada, porque todo governo novo, simplesmente, acha que o projeto do governo anterior estava totalmente errado e muda tudo. Desta maneira, estamos sempre começando um novo projeto e nunca caminhamos para frente.

No que tange a educação, é preciso que o Governo faça uma análise mais criteriosa das coisas, antes de simplesmente descartar o que é do outro governo, porque em qualquer projeto educacional sempre deverá existir algo útil e interessante. Somente uma análise fria, sem paixões e interesses políticos, pode separar o joio do trigo e construir uma base educacional sólida e satisfatória aos interesses nacionais. Obviamente, esta análise tem que ser democrática, com a participação de todos os interessados na questão.

A COMUNIDADE

Infelizmente, a Comunidade é sempre a mesma e segue sempre alheia e apática aos interesses nacionais. Não se vê a comunidade se manifestar sobre as questões, principalmente as questões referentes à Educação. Parece que a comunidade não entende, não quer entender ou é levada propositalmente a não entender, aquilo que consiste na minha segunda premissa básica: “a educação é a questão social mais importante que existe para todos os seres humanos de uma nação”. Obviamente, se a educação não funcionar de modo correto, todas as demais questões sociais também não funcionarão de forma devida, porque a educação está na base de todo o sistema organizacional social do ser humano.

Quer dizer a educação tem que ser a prioridade e a comunidade tem que estar na vanguarda da defesa dos interesses educacionais. Contudo, aqui no Brasil, a educação, que historicamente não é prioridade dos Governos, também não é prioridade para a população. Ou seja, a própria sociedade ainda não vê a educação como um interesse prioritário. Infelizmente, a escala de valores e de necessidades sociais manifestadas pelas nossas comunidades ainda é bastante falha.

Talvez, essa inoperância da Comunidade em defender os seus interesses primários seja o maior problema do Brasil. Essa situação tem que urgência de mudar para o bem de toda nação brasileira. No que tange à Educação, que, como já foi dito deveria ser a prioridade nacional, essa questão é mais que urgente e necessita ser observada por todos. É preciso que as comunidades se posicionem de maneira mais objetiva e contundente na defesa de seus interesses primários.

O PROFESSOR

O Professor, na sua tarefa de ensinar, é o agente social responsabilizado por desempenhar e desenvolver a educação para a comunidade em atendimento aos projeto (sistema) proposto pelo governo. O Professor não é responsável pelo Projeto Educacional e embora seja considerado o principal culpado pela péssima situação da educação nacional, que fique claro que o professor nem participa diretamente da elaboração do projeto.

Entretanto, tristemente, a maioria dos professores, a exemplo da comunidade, também não questionam e nem se manifestam sobre o projeto que está sendo obrigado a seguir, eles apenas recebem o “pacote” e tem que despachá-lo. Deste modo, a coisa quase sempre limitada e insatisfatória aos seus interesses.  A partir disso, apresento agora, a minha terceira premissa: “o professor precisa estar diretamente envolvido em qualquer projeto educacional, para que esse projeto possa ter pleno êxito operacional”.

Isto é, projeto educacional não é uma questão de governo, nem de Partido Político, o projeto educacional é uma questão de estado e o profissional fundamental para auxiliar o estado na conformação do projeto educacional é o professor, haja vista que é ele quem vai trabalhar direta e efetivamente o projeto. O Professor, preocupado e envolvido com a Educação, sabe ou deveria saber desse fato e não deveria estar se atendo e defendendo valores menores em sala de aula.

A prioridade brasileira tem que ser a Educação, principalmente, a Educação que deverá ocorrer nas salas de aulas das escolas. Qualquer outra coisa, por mais importante que possa parecer, certamente vem depois e tem menos relevância no processo educacional como um todo. Na escola, professores e alunos devem falar e discutir a respeito de tudo, mas não pode e nem deve tomar partido sobre nada. Tem que existir neutralidade na educação. O professor precisa estar atento para o fato de que o objetivo educacional é formar pessoas e não desenvolver fantoches.

Por sua condição, o Professor assume uma posição estratégica e preponderante no estabelecimento do projeto educacional. Por isso mesmo, ele necessita estar bem-preparado para atuar na sua função e deve ser sempre orientado em melhorar suas competências e habilidades para agir em prol da melhoria da educação do país, deixando seus interesses pessoais de lado. Talvez, seja difícil, mas isso é fundamental e precisa ser trabalhado. Além disso, também é importante que os professores sejam estimulados em suas atividades, através de uma infraestrutura mínima compatível com as suas necessidades e de salários dignos que lhes permitam investir nas suas formações e sobreviver de maneira equilibrada.

Afinal, os professores são os sujeitos mais importantes no desenvolvimento do processo educacional, porque são eles que estão na linha de frente com os alunos. Por outro lado, sempre é bom lembrar que os professores são os formadores de todos as outras profissões e devem, pelo menos, ter suas necessidades básicas satisfeitas. Valorizar os professores e o trabalho que eles desenvolvem tem que ser uma tarefa fundamental e obrigatória dos governos que querem melhorar a educação.

A INSTITUIÇÃO ESCOLA

A Escola como instituição, costuma ser entendida apenas como o local onde a educação formal se manifesta. Ou seja, é somente um prédio físico onde a educação acontece. A instituição escola precisa passar a ser entendida, não como um prédio, mas, como o conjunto de elementos humanos (comunidade escolar) que atuam diretamente e indiretamente naquele prédio e que fazem parte da educação. Isso me traz a quarta premissa: “a comunidade escolar é parte integrante, interessada e fundamental para o desenvolvimento do projeto educacional e devem ser considerados e respeitados os seus limites regionais geográficos e culturais na conformação final do projeto”.

A escola é o lugar certo e mais discutir as questões educacionais e o Professor não pode se omitir dessa discussão, haja vista que ele deveria ser o mais preocupado com o destino da Educação Nacional. Nós, professores, temos um compromisso maior com a formação de nossos alunos e com a atividade que escolhemos, quando assumimos o magistério como profissão. A educação sempre será muito mais do que o queremos individualmente e precisamos estar atentos a isso, para não cometer injustiças com nossos alunos e principalmente, com a comunidade local e com a sociedade.

Um país das dimensões do Brasil não pode desconsiderar as diferentes regiões, os ambientes e os costumes regionais, no momento de pensar e fazer um projeto educacional e entender o conceito de escola. Nossa diversidade social, ambiental, cultural e mesmo econômica não deveria permitir que ficássemos amarrados a uma legislação única, no que se refere à Educação. Aliás, ao contrário, deveríamos tentar estabelecer alguns critérios regionais, a fim de que fossem respeitadas as condições regionais mais gerais, inclusive, os próprios interesses de determinadas comunidades específicas. Não se trata aqui de preferir ou preterir, mas sim, de respeitar e incluir.

O ALUNO

O Aluno deveria ser o maior interessado na educação, haja vista que ele é o agente que sofre os efeitos diretos do processo educacional, ou seja, a educação é feita para ele. Por sua condição fundamental, o aluno deve ser o sujeito mais empenhado em que as coisas aconteçam da forma mais coerente possível e ele também deveria fazer parte da construção do projeto. Entretanto, o aluno geralmente não está muito interessado, já recebe o pacote pronto e não participa da construção.

Ou seja, tristemente, na atualidade, os alunos estão progressivamente menos envolvidos e interessados com as questões educacionais, haja vista que existem inúmeras outras coisas mais chamativas e que acabem parecendo mais interessantes que a educação e que, drasticamente, são muito promovidas pela mídia em geral. Isso me leva a quinta premissa: “enquanto a mídia continuar sendo incentivada por todos a desestimular a escola como instituição fundamental para a sociedade, o aluno será cada vez menos interessado na sua própria educação”.

É urgente que o aluno volte a entender que a escola é fundamental na sua formação como indivíduo e que sem a escola ele não poderá normalmente progredir como ser humano. A educação é a única ferramenta que habilita ao crescimento humano e por isso mesmo, a escola tem de ser uma prioridade social na vida do aluno. Todos os indivíduos de qualquer comunidade e da sociedade como um todo devem atuar no trabalho precípuo de fazer o aluno entender essa realidade.

O governo deveria fazer mais ativamente a sua parte, tentando conter os desmandos e os excessos da mídia, que acabam por agir contra o principal interesse nacional, que é educar o povo brasileiro, em especial os jovens. Não se trata aqui de se propor qualquer tipo de censura, mas de tentar minimizar certos momentos e condições, de exigir a verdade da informação e de coibir atividades que incentivem a ações claramente anti-educacionais que só prejudicam o desenvolvimento humano e o país.

Se os governos quiserem agir, certamente, por óbvio, eles sempre serão capazes de desenvolver mecanismos que permitirão que a mídia possa ser contida nos seus atos, sem qualquer ação de censura.  O que precisa ser garantido é que o aluno não poderá continuar sendo capacho dos interesses midiáticos e a educação, como função social prioritária, também não poderá continuar sendo prejudicada por causa desses interesses menores.

Por mais que possam existir alunos que realmente não estejam interessados na escola e na educação, por óbvio, também sempre existem alunos que vislumbram a educação como forma de crescimento e esses não podem ser prejudicados nos seus objetivos e funções por conta dos desinteressados. Por conta disso, dentro das escolas, os alunos, quaisquer que sejam, devem ser tratados de maneira igual e a prioridade é a educação de todos. Não pode, de maneira alguma, existir distinção entre alunos.

OS PAIS E RESPONSÁVEIS DOS ALUNOS

Os pais ou responsáveis pelos alunos necessitam entender suas missões como curadores dos alunos e isso tristemente não costuma ocorrer, porque, na maioria das vezes, os pais e responsáveis costumam estar alheios à educação de seus dependentes e assim, não se envolvem na questão educacional deles. E aí, vem a minha sexta premissa: “se a família não se importar e não se envolver na formação educacional de seus dependentes, a educação sempre será falha no país”.

 É preciso colocar os pais e responsáveis como agentes diretos de observação da inclusão dos seus dependentes na questão educacional. As leis devem ser mais rigorosas nessa questão, porque, quando a família perde seus dependentes para a mídia, começa a acontecer o fim do processo educacional, porque tudo sai do controle. Aliás, sai do controle na escola e na família. Ou seja, o responsável também perde o controle sobre o seu tutelado, fato que tem se ampliado bastante na sociedade.

A família e a parte mais fundamental da comunidade escolar em que o aluno está inserido e ela precisa estar sempre incentivando e motivando esse aluno a fazer bom uso da escola, ainda que possam existir outros interesses agindo na direção contrário, a família tem que atuar em prol da escola. A família precisa entender que a mídia não tem compromisso com seus expectadores, mas os pais e responsáveis têm total compromisso com seus filhos. A responsabilidade é um atributo natural e legal dos tutores em relação aos seus tutelados e isso precisa ser cobrado das famílias.

A SOCIEDADE BRASILEIRA

A Sociedade Brasileira carece de agir como uma sociedade de fato, porque não questiona, não discute e não participa das questões a ela relacionadas. A Educação é apenas uma dessas questões, que a Sociedade infelizmente costuma deixar de lado e prefere deixar a responsabilidade nas cargas do governo. Esta é uma verdade dura e triste, mas é a única verdade e dela eu manifesto a minha sétima premissa: “enquanto a sociedade continuar não se importando e deixando as coisas acontecerem sem assumir a sua devida responsabilidade, haja vista que vivemos num país democrático, dificilmente as coisas mudarão e, particularmente, no que se refere a educação, as melhoras estarão cada vez mais difíceis e distantes”.

Senhores leitores, nossa sociedade é omissa e por conta disso chegamos ao atual estado de coisas. A educação virou terra de ninguém e a sociedade vê, ouve e não fala absolutamente nada. Parece que está tudo normal, quando um jovem aos 15 anos sai do Ensino Fundamental Analfabeto, passa pelo ensino Médio da mesma maneira e ingressa na Faculdade sem nenhuma condição de discernimento entre o certo e o errado. Alguém dirá, mas “isso sempre aconteceu”. Talvez seja verdade, mas hoje, isso acontece de maneira extremamente frequente. Como é que o Brasil poderá crescer com a incremento de pessoas analfabetas ou semialfabetizadas?

Nos meus quase 50 anos de magistério, só vi a situação piorar e agora ele está mais que crítica. Não acredite em mim e nem nas inúmeras pesquisas feitas pelos mais diversos setores do jornalismo nacional sério, que ainda existe. Assim, faça você mesmo a sua pesquisa. Basta sair pelas ruas fazendo qualquer pergunta aos jovens. Faça a pergunta mais idiota possível e você entenderá o que eu estou dizendo. É triste, mas a maioria dos jovens não tem conhecimento absolutamente nenhum sobre nada e a sociedade brasileira não se manifesta sobre isso. Quando muito, a sociedade ri do que acontece e esquece que ela está rindo dela mesma, porque esses jovens também fazem parte da sociedade e mais, serão o futuro do país.

Senhores, vamos encarar a coisa com a devida seriedade e vamos cobrar posturas mais enérgicas de todos os setores, em particular do governo (em todas as esferas), sobre as posturas e atividades educacionais, pois, do contrário, estaremos fadados a virar uma sub-raça, porque só temos andado para trás e o que é ruim tem ficado pior mais rapidamente do que se poderia esperar. A culpa dessa continuidade absurda e lamentável é da nossa sociedade inoperante e dos políticos irresponsáveis que elegemos e não cobramos as suas ações. É preciso colocar essa questão em pauta urgentemente, porque já estamos muito atrasados. Se a sociedade não se manifestar nada continuará acontecendo e o fim será terrível. Volto a lembrar que “a educação é a base de tudo” e temos que mudar essa situação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Então Senhores leitores, enquanto não nos posicionarmos seriamente sobre essas questões que acabo de levantar, independentemente de qualquer proposta política de quem quer que seja, dificilmente melhoraremos a educação no país e certamente não deixaremos a rabeira da educação no cenário internacional. Temos que trabalhar coletivamente para criar e fazer a educação que o Brasil necessita e que os brasileiros merecem.

A educação brasileira é uma obra a ser construída por muitas cabeças e mãos. A educação não pode ser ação isolada de qualquer governo ou de qualquer pretenso “gênio” da educação. O projeto educacional que dará certo será aquele que tiver participação e envolvimento de todos da comunidade escolar e que for testado efetivamente em todo o ciclo educacional. Somente desse jeito teremos condições reais de olhar e caminhar para o futuro e competir de maneira semelhante com qualquer nação do planeta.

Além disso, as escolas devem ser abertas às comunidades e devem funcionar como grandes centros culturais locais As escolas devem procurar associar as comunidades interna e externa, possibilitando o estabelecimento de interesses integrados e comuns a todos e promovendo eventos culturais que transcendam os limites mínimos estabelecidos pela legislação, obviamente sem comprometer a qualidade educacional.  Ao sair da escola, o aluno deverá ter orgulho de ter estudado naquela instituição de ensino e deverá ser um divulgador das boas práticas educacionais nela desenvolvidas.

Senhores, meu sonho é realmente imenso, mas não ele é nenhuma utopia, pois meus pés ainda continuam no chão. Tenho absoluta certeza de que isso tudo é possível e acredito que o Brasil pode mudar a sua história futura, se quiser. Para que isso aconteça, o país deve investir seriamente na educação de seu povo, mormente de seus jovens, para que eles não se percam pelo caminho. Entretanto, também estou convicto de que isso depende muito da vontade maior da sociedade e da participação efetiva de todos.

Para terminar, quero dizer que, da mesma maneira que não existe aluno sem escola e que não existe educação sem professor, é preciso termos ciência de que também não existe democracia sem participação popular. Se a Sociedade brasileira realmente quer uma educação séria e de qualidade, esta sociedade tem que trabalhar com afinco e exigir que esta educação aconteça. Nós não podemos mais continuar culpando apenas os professores e esperando pela “boa vontade” dos políticos e administradores.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (68) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor e Ambientalista.

08 ago 2024
PÊNALTI: UM MAL DESNECESSÁRIO ÀS DECISÕES DO FUTEBOL

PÊNALTI: UM MAL DESNECESSÁRIO ÀS DECISÕES DO FUTEBOL

Resumo: O artigo manifesto minha opinião, de que, é inadmissível que, mesmo depois de 500 anos da invenção do futebol e quase 200 anos da definição das regras básicas desse esporte, que há muito tempo se destaca como o principal esporte planetário, ainda sigamos entregando o resultado ao acaso e decidindo competições através de “pênaltis”.

Vou começar pedindo vênia por minha ousadia, haja vista que não sou um entendido em futebol, sou apenas mais um dos bilhões de seres humanos entusiasmados e apaixonados pelo “esporte bretão” e odeio decisões através de pênaltis.

Por que odeio a cobrança de pênaltis como maneira de decidir os jogos? Porque entendo que pênaltis são, apenas, faltas ou toques de mãos, que ocorrem durante a partida de futebol, dentro da grande área do time faltoso. Essas faltas são punidas com tiros livres diretos e sem barreiras, cobrados a 11 metros de distância da linha de gol, num ponto marcado, entre as linhas da grande e da pequena área. Portanto, são faltas perigosas com possibilidades reais de acarretarem gols.

Quer dizer, os pênaltis são faltas punidas durante a partida. Depois da partida encerrada, não podem existir pênaltis, até porque, se a partida acabou, não existem mais faltas ou toques dentro da grande área ou qualquer outro lugar. Qualquer outra coisa, diferente disso, a meu ver, não pode, sequer, ser chamada de pênalti. Entretanto, costuma se usar esse tipo de tiro livre, após o jogo para decidir o resultado de partidas que terminam empatadas.

Na verdade, não tenho nada contra os pênaltis em si, até porque, a regra do futebol de alguma maneira diz que: “qualquer falta produzida pelo defensor, que ocorra dentro da sua própria área, deve ser punida com pênalti”. Porém, por outro lado, entendo que decidir resultados através de cobrança de pênaltis é uma grande idiotice para resolver o problema, criando um resultado artificial para aquela partida, que não poderia, por qualquer motivo especial, terminar empatada. Isto é, aquela partida que obrigatoriamente necessita ter um vencedor.

Ou seja, quando o resultado de empate, que um resultado naturalmente possível numa partida de futebol, não pode acontecer, porque há necessidade de se premiar o vencedor da citada partida. Com a cobrança de pênaltis ao final da partida empatada, arruma-se ou ajeita-se um vitorioso, que não venceu nas condições normais da disputa. Deste modo, muitas vezes se acaba produzindo grandes injustiças artificiais, para se resolver rapidamente questões que deveriam ser naturalmente resolvidas.

Quando se resolve decidir um resultado através de cobrança de pênaltis, está se colocando a responsabilidade de um time dentro do campo e de uma torcida, às vezes imensa, fora de campo, no pé e nas mãos de dois indivíduos: o chutador (batedor) e o goleiro (defensor). Fato que é, no mínimo, injusto. Alguém já disse que futebol não tem que ser necessariamente justo e eu concordo. Entretanto, eu também quero dizer que, não é por isso que devemos atuar para favorecer às injustiças.

Há idiotas que dizem, mas que jamais poderão provar, que cobrança de pênaltis não seja loteria.  Como já afirmei, são idiotas, porque cobrança de pênaltis sempre será uma loteria. Eu afirmo que esses idiotas estão tremendamente errados, porque cobrança de pênaltis é pura sorte. Digo isso, porque tenho certeza que todo batedor, ao bater o pênalti, certamente, quer fazer o gol e, por sua vez, todo goleiro quer defender, além, é claro, da bola poder bater na trave ou ir para fora. Quer dizer, o acaso é quem decide, se a simples cobrança se transformará em gol ou não.

Embora, nenhum dos dois envolvidos diretamente na questão, voluntaria e propositalmente, queiram errar, por óbvio, o erro é natural e acontece, de um lado ou de outro. Salvo, em questões anômalas e inerentes ao processo partida de futebol, muitas vezes um pênalti “bem batido” não resulta em gol e um outro “mal batido” acaba resultando em gol e pode causar a vitória daquele que foi notoriamente o pior time durante toda o transcorrer da partida. Isso acontece inúmeras vezes, então como não é sorte?

Aqui, alguns dirão, mas, durante uma partida normal, o vencedor também pode ser o pior time! Sim, mas isso, além de ser uma contingência da própria partida, não é uma regra. Entretanto, toda partida é um jogo e o fator sorte sempre existe, mas as regras probabilísticas dizem que o melhor time deve ganhar do pior. Quando efetivamente acontece de o vencedor da partida ser o pior time, ninguém pode questionar, haja vista que ele, de fato, venceu a partida, ainda que por pura sorte.

Assim, não consigo entender, como um esporte oficialmente inventado no século XVII, continua, muitas vezes, algumas delas até em campeonatos mundiais de seleções nacionais dos países competidores, dando “sopa para o azar” e permitindo, ou melhor, obrigando que disputas por cobranças de pênaltis definam resultados de partidas. A própria seleção brasileira já “ganhou” campeonato mundial de seleções por cobrança de pênaltis, o que é lamentável, porque ganhou, mas não venceu o jogo.

Esse negócio de cobrança de pênaltis para decidir vencedores e perdedores é muito mais que uma idiotice, porque isso é, simplesmente, acreditar que a “sorte” ou o “azar” (sim, somente o acaso), em chutes diretos, sem possibilidade de reação sejam as maneiras mais corretas para decidir competições locais, regionais, estaduais, nacionais e internacionais. Acredito que, esteja na hora da FIFA ou qualquer outra entidade que possa sugerir sobre a questão, se manifeste em prol de propor novas maneiras para decidir resultados, quando não puder existir o empate entre os dois times competidores.

Por favor, esqueçam as cobranças de pênaltis, mas proponham coisas boas. Já inventaram, faz algum tempo, a tal da “morte súbita”, que acabava com o jogo em qualquer momento, logo após a ocorrência de um gol. É aquela história da “pelada de rua”: “quem fizer o primeiro gol ganha o jogo”. Ora, esse negócio de “morte súbita”, conseguia ser mais injusto do que a cobrança de pênaltis, porque não permitia nem a tentativa de reação.

Aliás, a cobrança de pênaltis para decidir partidas também não permite, embora dê chances iguais para ambos os times. E aqui cabe uma explicação de porquê os pênaltis depois do jogo não poderem ser chamados de pênaltis. A ação dos pênaltis durante o jogo é a mesma de uma outra falta qualquer. Isto é, a pós a cobrança a bola está automaticamente em jogo, mas nas disputas por cobrança, NÃO EXISTE JOGO existem apenas os chutes em direção à baliza e deste modo, depois de cada chute não pode acontecer mais nada, além do gol. da defesa, da trave ou da bola fora. Ora, se isso não é algo totalmente artificial ao futebol, então eu preciso ser internado, porque sou um débil mental.  

Desta maneira, eu vou aproveitar o momento para questionar e ao mesmo tempo sugerir. Por que o futebol, não pode copiar o basquete e fazer tantas prorrogações de tempo quanto forem necessárias, até que haja um vencedor? Com certeza isso diminui bastante o fator sorte, além de ser mais sensato e correto, além de menos injusto. O basquete poderia, da mesma maneira que se faz no futebol, decidir empates com “lances livres”, mas os codificadores daquele esporte, desde o início, já sabiam que o jogo tem que ser jogado e que o vencedor tem que vencer o jogo e não apenas ter uma boa pontaria ou pura sorte. Infelizmente, no futebol, ainda não se atentou para esse detalhe.

Certamente alguém vai dizer, mas desse jeito, poderão existir prorrogações indefinidamente. Sim, poderão, mas, com os pênaltis isso também é possível. Entretanto, tal coisa nunca aconteceu, nem mesmo no basquete, que sempre foi assim. Além disso, tenho certeza de que isso vai melhorar bastante a qualidade do espetáculo. Porque, por óbvio, após ao tempo normal, os próprios jogadores vão querer decidir logo quem será o vencedor e certamente a partida ficará mais interessante e o público vai gostar muito mais.

Querem melhorar o futebol, deixem ele sempre acontecer como ele de fato é, ou seja, com a bola rolando dentro do campo. Aliás. Esse negócio de VAR (Vigaristas Arrumando Resultados) também é uma besteira imensa, por que aumenta os custo e só favorece a alguns poucos interessados que ganham muito dinheiro com essa idiotice e se beneficiam com apostas extracampo. Como eu já disse em artigo anterior, o VAR só trocou o erro individual (do juiz) pelo erro coletivo (da máquina e seus “juízes” operadores), mas não acabou e nem vai conseguir acabar com o erros, além de ter favorecido, ainda que indiretamente, aos contraventores e outros picaretas.

Aliás, cabe ainda dizer que os erros do futebol são tristes, mas eles, historicamente, fazem parte do próprio futebol. Se pudermos minimizar os erros obviamente será muito bom, mas creio que isto não será possível e nem é efetivamente interessante que eles acabem, porque eles também fazem parte do jogo, desde que não sejam programados externamente. Por outro lado, até para minimizar os efeitos externos nas competições, os pênaltis em decisões precisam ser extintos para o bem do próprio futebol. Pensem nisso!

Luiz Eduardo Corrêa Lima (68)

19 jul 2024
Por que atualmente perder é melhor que empatar na contagem de pontos do futebol?

Como entender um esporte onde uma derrota vale mais que dois empates?

Resumo: O artigo trata de uma questão que tenho discutido há muito tempo e que os profissionais da área não se envolvem com as devidas importância e ponderação. Por que atualmente perder é melhor que empatar na contagem de pontos do futebol?


Pois então, meus amigos, no futebol atual, quem perde uma partida perde 3 (três) pontos e quem empata duas partidas perde 4 (quatro) pontos e, o pior, é que acham que parece que entendem que isto está correto. Vaja bem, desta maneira uma derrota, acaba sendo melhor do que dois empates, o que me parece, não só um erro, mas uma grande injustiça e, por isso mesmo, um absurdo, que necessita ser revisto.

Entretanto, não para por aí, o número de vitórias é um fator de desempate prioritário entre times empatados. Eu não sei, mas, se a matemática não mudou, um time que tem mais vitórias e que tem o mesmo número de pontos de outro, por óbvio, esse time também terá necessariamente mais derrotas e menos empates. Ou seja, assim se valoriza mais ainda a derrota frente ao empate.

Senhores, quando se classifica algum time numa condição melhor, pelo número de vitórias, na verdade, está se classificando alguém, numa condição melhor, efetivamente pelo número maior de derrotas. Será que é esse mesmo o objetivo?  Será que só eu sou capaz de ver essas coisas, ou o pessoal que trata disso não quer ver ou não sabe fazer conta mesmo?  Por que os cronistas e jornalistas esportivos não discutem esse assunto?

Há cerca de 16 anos, encucado com essa situação absurda, eu escrevi e publiquei um modesto artigo, que está na INTERNET, desde aquele data, (https://www.recantodasletras.com.br/artigos-de-esporte/2660527), onde tentei chamar a atenção para essas questões e demonstrei (com números) que esse critério estava errado e que precisava ser reavaliado. Mas, obviamente, ninguém leu, ou se leu, preferiu achar que não leu, ou preferiu não entender, ou, simplesmente, porque não sabe fazer contas, ou, o que é bem pior ainda, resolveu não dar atenção, porque não quer problemas

É claro que estou ciente de que essa inação possa ser justificada, até porque, quem sou eu, além de um “grande desconhecido” para falar nessa área de “grandes gênios” do futebol. Sou um cidadão comum, que nada tenho a ver com o meio futebolístico e logicamente os “grandes gênios” não deveriam me levar a sério, como, efetivamente, não levaram. Mas, a coisa é tão óbvia, que eu tenho certeza de que não sou o único sujeito que foi capaz de observar o tremendo erro. Mas, então, por que ninguém fala nada sobre a questão?

Contudo, já se passaram mais de 16 anos de minha modesta publicação e os “grandes gênios” continuam assistindo e discutindo sobre outras picuinhas do futebol e concordando, sem nenhum questionamento, de que perder é melhor que empatar. Eu sou, além de um “grande desconhecido”, talvez, ou uma “besta” mesmo, que nada entendo de futebol, mas eles, que, talvez até saibam alguma coisa sobre o futebol, aparentemente desconhecem ética, lógica e matemática. Ou, pelo menos, ética, lógica e matemática não parecem ser áreas fortes de entendimento desses “gênios do futebol”.

E eu continuo aqui, dizendo que: ESSE NEGÓCIO ESTÁ ERRADO! E continuo querendo saber, QUANDO SERÁ QUE ALGUÉM VAI DISCUTIR SOBRE ESSA QUESTÃO?

Meus amigos, se o jogo vale três pontos, quando há um resultado de empate, um desses três pontos, simplesmente, desaparece no final da partida, porque cada time ganha 1 (um) ponto, o que totaliza apenas 2 (dois) pontos, dos 3 (três) que a partida deveria valer, e isso NÃO É JUSTO. Para onde vai o terceiro ponto?

O resultado de empate existe e certamente, como resultado, ele não é menos importante que a vitória ou a derrota para os times, como, injustamente, tem sido considerado. Por isso, o empate deve valer os mesmos três pontos que qualquer outro jogo em que haja um vencedor. E só existem duas maneiras de FAZER JUSTIÇA e resolver essa questão:

  1. Quando o resultado for empate, cada time ganha metade (como era antes) do valor de pontos da partida, ou seja, atualmente, 1,5 (um e meio) pontos.  Só assim, o total de pontos da partida continuará sendo três pontos.
  2. Quando o resultado for empate, o visitante ganha 2 (dois) pontos e o mandante ganha 1 (um) ponto. Só assim, o total de pontos da partida continuará sendo três pontos.

Qualquer coisa diferente dessas duas opções, certamente, é só mais uma incoerência, um erro e principalmente, mais uma grande injustiça. Infelizmente falamos muito sobre justiça, mas não pararmos para discutir as injustiças e tenho certeza de que esta é apenas uma, das muitas que existem no mundo do futebol.

A propósito, só para dar um exemplo das injustiças, o VAR (“Vigaristas Arranjando Resultados”) e outra injustiça grave, pois com o VAR, o que se fez foi reprovar o erro individual e aprovar o erro coletivo. Um árbitro de futebol que erra, pode errar, porque ele é um ser humano e todo ser humano por mais que não queira, sempre erra. Porém, um equipamento, com uma equipe treinada especificamente no operacionamento dele, não pode errar e continua errando de maneira bisonha e muitas vezes até suspeita.

O que se fez com o advento do VAR foi deixar de lado o erro individual (do árbitro) e promover o erro coletivo (da máquina e sua equipe de operadores). O pior é que: NINGUÉM PODE FAZER NADA depois da confirmação dos erros como se fossem acertos. Assim, os erros agora acabam sendo muito mais graves, por que aquilo que era feito por apenas um indivíduo, agora é feito por uma equipe, com um grande aparato tecnológico. Quer dizer, para o futebol, as coisas pioraram muito com o VAR, porque, além de tudo, elas saíram do limite do campo de futebol.

Eu gostaria de que alguns dos Senhores Jornalistas sérios, que eu sei que ainda existem, discutissem sobre essa questão, do empate ser um “resultado inferior”, porque como demonstrei anteriormente, esse fato modifica os resultados contábeis dos pontos e consequentemente a ordem das classificações (LIMA, 2008) de determinados campeonatos e outras competições futebolistas.

P.S. Por favor, se vocês gostaram do que leram, percam mais alguns minutos (ou ganhe) e se deem o direito de ler o artigo que escrevi e publiquei, em 2008, sobre essa questão. Vocês podem, a priori, até não concordar, mas, tenho certeza de que você irá se surpreender.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (68)

30 jun 2024
O RACISMO PROGRAMADO PELOS MAUS POLÍTICOS E A MÍDIA

RACISMO: UMA PROGRAMAÇÃO DOS MAUS POLÍTICOS E DA MÍDIA

Resumo: O artigo trata sobre a questão do preconceito racial no Brasil e sugere que os principais culpados pela perpetuação da questão no país, sejam a mídia e os maus políticos, que parecem fazer uso indevido do problema apenas para se aproveitar e assim querem manter o assunto em alta, ao invés de trabalhar par sua extinção.


Certamente, aqui no Brasil e no mundo, sempre existiu e em muitos lugares ainda existe, alguma forma, mesmo que quase totalmente velada, de preconceito racial incutida na Sociedade. Ainda assim, apesar de alguns pequenos problemas gerados e localizados, nós brasileiros, vivíamos muito bem, mesmo considerando as posturas exageradas ocasionais de alguns indivíduos mais radicais, haja vista que estas situações sempre foram muito raras, ao menos por aqui. Posso até estar errado, mas não me recordo de grandes problemas ocorridos por contas de questões estritamente raciais no Brasil, até as últimas três décadas, quando as coisas começaram, efetivamente, a se acirrar de maneira mais significativa.

Eu, até, me arisco e assumo a ousadia de afirmar que, se tivéssemos continuado daquela mesma maneira como anteriormente tratávamos o assunto, acredito que, progressivamente, estaríamos, cada vez mais distantes dos problemas relacionados ao racismo. Penso mesmo, que se não fossem tomadas algumas ações nefastas, oriundas da ação nefasta da mídia e de certas decisões absurdas criadas por algumas leis maliciosas, motivadas e carregadas de interesses estritamente políticos, que só serviram para incentivar e aquecer mais a ira das pessoas mais radicais, talvez, a situação pudesse estar bem melhor na atualidade.

Entretanto, ao que parece, os ânimos têm se acirrado sempre mais, pois a exploração midiática indevida sobre o assunto, ampliada por toda politicagem referente ao tema, só complicaram mais as questões e agravaram a situação. Aliás, a mídia nesse país, efetivamente só atrapalha, porque ela não consegue ser verdadeira e muito menos ter uma postura apolítica. E na questão específica do racismo, a mídia faz questão de “jogar gasolina no incêndio” e, desta maneira, sempre agrava mais os problemas que, eventualmente, possam existir.

Se voltarmos à época do “descobrimento” do Brasil (1500) e aos tempos iniciais da colônia, veremos que no início aqui existia uma única raça, que já habitava o país, os “indígenas”, que se compunham e se diversificavam em várias tribos de índios espalhadas pelo território brasileiro daquele tempo, mas todas essas tribos eram de nações indígenas aparentadas e de uma raça comum. Então, de repente, chegaram os portugueses (brancos europeus), que invadiram o território e, desde então, se assumiram como donos dele. Não quero e não vou aqui discutir juízo de valor, mas foi exatamente isso que aconteceu.

Infelizmente, os nativos indígenas, em sua imensa maioria, sempre foram submissos às ações dos portugueses e, deste modo, se submeteram aos “brancos” de maneira fácil e passiva. Assim, a partir daquele momento, passaram a existir duas raças: os “brancos” que se entendiam “superiores, detentores de cultura e desenvolvidos” e os “indígenas” que eram entendidos pelos brancos como “inferiores, sem cultura e selvagens”. Pois então, como tristemente, os “indígenas” não discordavam do pensamento dos portugueses, e praticamente nada fizeram para reagir a essa condição, os “brancos”, ainda que em menor número, facilmente tomaram conta do país.

Algum tempo depois, entre 1550 e 1560, começaram a chegar outro grupo racial, os “negros”, que eram oriundos de várias regiões da África e que eram caçados e capturados nos seus lugares de origem, sendo trazidos à força, contra suas respectivas vontades para serem escravizados em nosso país e em várias colônias europeias espalhadas pelo mundo afora. Por óbvio, esse grupo racial foi muito maltratado e prejudicado por mais de 300 anos aqui no Brasil.

Todavia, ao contrário dos indígenas, que são os verdadeiros donos da terra, porque foram os primeiros humanos a chegarem nela, mas que foram submissos, como já foi dito, os “negros” nunca aceitaram à condição de escravos que lhes foi imposta e sempre lutaram para ter sua liberdade. Muitos fugiam de seus “donos” e se agrupavam em locais de fortaleza dos negros revoltos, os quilombos. Há registro de que cerce de 6.000 (seis mil) desse quilombos tenham existido no país e obviamente essas verdadeiras “cidades negras”, se constituem no principal marco da resistência contra a escravidão.

Assim, historicamente, os três grupos raciais originários da população brasileira, de alguma maneira, sempre tiveram seus entreveros e suas diferenças, mas, mesmo assim, a miscigenação também sempre aconteceu, muitas vezes por situações impostas e outras vezes por questões afetivas e naturais. Cabe ainda lembrar que a história também registra três grupos europeus que estão por aqui desde a época da colônia, os espanhóis, que acompanhavam os portugueses; os ingleses que vieram ainda em 1530 para garantir o comércio e começar a explorar a navegação, além dos franceses e holandeses, que várias vezes tentaram se instalar produzindo colônias por aqui.

O resultado dessa miscigenação, os mulatos, os cafuzos, os mamelucos e toda uma plêiade de mestiços descendentes somos nós, a população brasileira de hoje. Ou seja, hoje, a maioria da população brasileira está certamente composta de mestiços. Quer dizer, dificilmente ainda existam indígenas, brancos ou negros puros no Brasil. Sendo assim, a imensa maioria da população brasileira, depois de 524 anos do “descobrimento”, constitui-se numa população mestiça. Embora já houvesse alguns imigrantes no país, a imigração se acentuou, próximo ao fim do império, com a vinda de grupos de novos europeus e asiáticos que aqui se fixaram nos últimos 60 a 150 anos.

Da Europa vieram, principalmente, novos espanhóis, a partir de 1880, principalmente no Rio de Janeiro; os italianos, no Espírito Santo, em São Paulo e no Rio Grande do Sul; os alemães em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul e, por fim, os poloneses também no Sul, principalmente no Paraná. Da Ásia chegaram os japoneses (1912), os chineses (1950), embora já existissem um pequeno grupo de chineses desde o Brasil colônia, trazidos por Dom João VI, para o Rio de Janeiro, esse grupo quase sempre se manteve isolado e mais recentemente chegaram os coreanos (1963). Da Ásia também vieram Judeus, a maioria oriunda da Rússia (1872 e muitos árabes, principalmente Libaneses (1880) e Sírios (1884).

Mas, mesmo os membros desses últimos grupos já miscigenaram bastante com os indivíduos que já existiam. Ou seja, as raças de humanos que compõem o Brasil, se mestiçaram ainda mais. Assim, posso afirmar que, como essa situação não mudou e a miscigenação continua acontecendo, a população brasileira pode ser considerada uma das mais mestiça de todos os países da Terra. Somos um país de “vira-latas” ou como dizem os veterinários, em relação aos animais domésticos, somos um país SRD (Sem Raça Definida).

Pois então, Darcy Ribeiro em sua obra clássica (“O Povo Brasileiro” – 1995) defendeu que a miscigenação é o fator preponderante da diversidade que caracteriza o Brasil. Por isso, não é à toa, que as Batalhas dos Guararapes descreve o nascimento do povo brasileiro a partir das duas Batalhas de Guararapes (18 e 19/04/1648 e 19/02/1649) como o momento da criação da identidade nacional. Foi exatamente nas I e na II Batalhas dos Guararapes, em Recife, que as raças brasileiras existentes naquela época, se uniram como uma só, para combater o invasor holandês.

O patriotismo se faz presente entre brancos, mazombos, negros, índios, mulatos, mamelucos, cafuzos, caboclos e todos os tipos possíveis de mestiços entre esses, que agiram coletivamente para defender o Brasil do interesse e do domínio estrangeiro. Portanto, não faz mais sentido falar de racismo no Brasil, porque desde então as coisas começaram a caminhar mais significativamente na direção de um povo único, independente da origem e da conformação social.

 A partir das Batalhas dos Guararapes surge o “vira-lata” brasileiro e assim termina o racismo formal e efetivo, embora, infelizmente a escravatura tenha continuado, oficialmente por mais 240 anos. Aliás, cabe salientar que, a escravatura continua existindo extraoficialmente até hoje, mas sua manutenção está muito mais relacionada com interesses políticos e econômicos do que com questões raciais.

Pois então, maioria dos índios e negros segue sendo explorada e tratada como escravos por alguns brancos e, tristemente, o que é muito pior, por alguns negros e índios também. Ou seja, o problema nunca foi e continua não sendo racial. Entretanto, como isso também nunca foi uma regra absoluta a tendência natural era que progressivamente a questão fosse minimizada e caminhasse para a extinção, haja vista que ela é notoriamente contra as regras morais que a sociedade espera.

Vejam, por exemplo, os movimentos contra a libertação dos escravos, embora tenham demorado muito a culminar, foram sempre crescentes, mais abrangentes e partir deles vieram alguns leis que gradativamente levaram até a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888 e a consequente extinção legal da escravatura no país. Coincidência ou não, no ano seguinte, em 15 de novembro de 1889, veio a Proclamação da República e o país teve que tomar novos rumos, porque até então só os brancos e uns pouquíssimos negros alforriados tinham direito ao trabalho assalariado e às posses.

Pois então, nos últimos 136 anos (1888 a 2024) o que se tem visto é que o crescimento natural do direito das minorias, embora vagarosamente, isso tem acontecido. O triste é que o país, quase já não tem mais índios, contudo, ainda tem muitos brancos, negros e, como já foi dito, uma imensa maioria mestiça e que, por isso mesmo, apesar de todas as dificuldades, as diferenças raciais, por óbvio, têm progressivamente diminuído e consequentemente as condições sociais do povo brasileiro têm se ampliado.

Só não ver quem não quer, mas hoje o Brasil é um país que está cada vez mais moderno e segue caminhando para ocupar o seu lugar de destaque no cenário mundial, o que ainda não aconteceu por conta da plêiade histórica de políticos corruptos e ladrões, além dos péssimos administradores públicos. De qualquer maneira, apesar desse peso, estamos caminhando para frente e acredito que seja só mais uma questão de tempo para que isso também se normalize e assim, certamente, chegaremos lá no topo.

Enfim, como eu já disse, o nosso problema já deixou de ser racial, faz quase 380 anos, se considerarmos as Batalhas de Guararapes ou 150 anos se considerarmos as últimas grandes imigrações. Está mais que claro, que não podemos mais ficar explorando e incutindo essa questão infeliz, desse racismo forçado no povo brasileiro, pois temos certeza de que a imensa maioria do povo brasileiro não é, não pode e principalmente, nunca quis ser racista. Ao contrário, o povo brasileiro sempre demonstrou que é avesso ao racismo, até porque tem consciência de que é um povo que só se fez por conta da mistura de várias raças e de vários povos.

Temos que deixar essas coisas de racismo de lado de uma vem por todas e assumirmos a nossa condição verdadeira de “vira-latas” ou pensar no “país moreno”, como dizia Darcy Ribeiro. Para tanto, temos que acabar com essa corja de políticos safados e apenas de atuar para o cumprimento das leis que já existem, lembrando que “a Lei é para todos e que todos são iguais perante a Lei”, independentemente de raça, cor, nacionalidade, gênero, opção sexual, religião ou condição socioeconômica. Igualdade social só existe quando existe cumprimento integral da legislação. Continuar dizendo que a falta de justiça social no Brasil seja uma questão de raça ou de violência contra as minorias é uma falácia dos vigaristas.

Por conta disso, ao invés de falar, temos sim que arregaçar as mangas e fazer, pois, justiça social é uma questão de ação política no interesse maior da população e não no interesse pessoal de alguns privilegiados, que aliás, hoje existem em todas as raças, sem nenhuma exceção. Isso é que necessita urgentemente acabar. O que precisamos é abrasileirar o Brasil, ao invés de ficarmos imitando os outros países como “vaquinhas de presépio”. Temos que acabar com esse “disse me disse” que só mantém a conjuntura e alimenta a mídia indecente e os políticos safados, cujos únicos objetivos são enriquecer, tirando dinheiro do país, e manter a pendenga entre as pessoas, enquanto roubam a nação.

Senhores leitores, pensem, reflitam bem e, por favor, atuem, porque só assim teremos um país mais justo e melhor sob todos os aspectos. O racismo só não acabou ainda definitivamente no Brasil, porque existem alguns malfeitores poderosos que se beneficiam diretamente dele e por isso mesmo insistem em se aproveitar maliciosamente das situações e até mesmo trabalhando na criação de condições inverídicas e fictícias para garantir o seu intento.  

Por outro lado, os senhores podem ter certeza de que, entre as pessoas comuns, normalmente, não existe mais quase nenhum racismo. Muito menos, racismo escandaloso ou violento, que há muito tempo já se extinguiu no país. Todavia, se ainda existir alguma forma de racismo, estejam certos de que ele está caminhando para extinção. Essa questão de racismo é complicada e como diz o ditado, “quanto mais mexe, mais fede” e esse mau cheiro, que é produzido por gente fedorenta e ruim, certamente não interessa ao país e o povo brasileiro já sabe disso.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (68) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

05 jun 2024

“COMEMORANDO” OS 52 ANOS DO DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Resumo: Na verdade, o texto propõe uma análise reflexiva nos “Dia Mundial do Meio Ambiente”, que hoje completa 52 anos, sobre o que a Humanidade tem feito pela Terra e pela vida ao longo desse tempo, para que essa possa, de fato, ser uma data efetivamente comemorada por todos.


A idade da Terra é estimada em cerca de 4,6 bilhões de anos. Acredita-se que a vida na Terra tenha surgido por volta de 3,5 bilhões de anos e que a espécie humana está por aqui há apenas cerca de 250 a 300 mil anos. Entretanto, estranhamente, a humanidade só passou a “conhecer” e “identificar” o Meio Ambiente há ínfimos 52 anos, porém parece que até agora não descobriu, não inventou e nem desenvolveu um mecanismo capaz de parar a degradação do planeta.

Ou seja, apesar dos 52 anos, desde Estocolmo, no que tange a sustentabilidade ambiental, necessária para a continuidade da vida humana na Terra, continuamos praticamente no ano zero.  Por que será que a espécie humana é assim tão verdadeiramente incapaz de agir de acordo com os interesses maiores do planeta e da vida?  Eu não consigo acreditar e muito menos entender essa nossa ineficácia com o meio ambiente e nosso desrespeito com a Terra e com todos os organismos vivos, inclusive os da nossa própria espécie.

Meus amigos, com cerca de 300 mil anos de existência na Terra, o ser humano já deveria ter compreendido e aprendido que os valores do planeta e da vida não têm preço e que, deste modo, não podem ser negociáveis. Ao contrário, esses valores são condições sociais, éticas, morais, e sobretudo humanitários, que não podem, de maneira nenhuma, ser medidos ou quantificados por dinheiro. Enquanto a humanidade não compreender definitivamente isso, estamos fadados a viver no limbo, à deriva da sorte.

A História é a mãe das ciências sociais e nos conta quase tudo que já enfrentamos como espécie viva. E ela segue nos mostrando o caminho que devemos tentar seguir. Entretanto, o homem cego, rebelde, teimoso e idiotizado pelo dinheiro, que ele próprio inventou, continua à deriva dos seus próprios interesses e vai andando, a trancos e barrancos, contra a natureza, por conta de sua própria insensatez. O homem não busca aprender com os próprios erros e não faz de sua história uma fonte de informação e de aprendizado, pelo menos quanto ao meio ambiente, para tentar viver melhor.

A teimosia da espécie humana e sua opção primária pelo dinheiro e não pela vida é a causa principal desta carência humana e certamente está evoluindo para sua extinção prematura. Proteger o meio ambiente não é uma questão contemplativa e diletante de certos seres humanos desocupados, como querem alguns. Proteger o meio ambiente é uma obrigação moral da humanidade, além de ser, a única maneira possível da espécie humana conviver com o planeta e continuar existindo na Terra por mais tempo.

Enquanto os “seres humanos poderosos”, aqueles que se acham “donos do poder” e muitos efetivamente acabam sendo isso mesmo, tal é o domínio que possuem sobre os outros humanos, não se conscientizarem de que proteger o meio ambiente é uma condição “sine qua non” à vida humana, nossa espécie continuará seguindo na contramão da História. Parece que esses homens ainda não perceberam que a humanidade faz parte do planeta e que nós não temos nenhum controle sobre a Terra e nem força para suportar os fenômenos naturais. Esses homens ainda não entenderam que tudo que é vivo, certamente vai morrer, inclusive eles, porque está é uma condição única e não há como ser diferente.

Mesmo assim, há 52 anos (Estocolmo, 1972), depois de inúmeras guerras violentas, de muitas chacinas, holocaustos e de muitas discussões, começamos a falar e tentar entender um pouco sobre a questão ambiental planetária. Porém, tristemente, a grande maioria dos “seres humanos poderosos”, continua dando de ombros para o óbvio e a humanidade segue como se todos fôssemos camicases, pilotando os nossos aviões com destino à morte. Infeliz do ser humano que não crê no perigo que corremos, porém, mais infeliz ainda, o ser humano que nem desconfia e que não quer aceitar que a humanidade está se equilibrando sobre sério risco numa corda bamba ou margeando à beira de um abismo. Urge que se tomem providências para mudar esta situação, decadente, infeliz e insólita.

No mundo e mesmo aqui no Brasil, temos muitas histórias tristes para lembrar, de fatos que têm ocorrido mais intensamente nos últimos anos, tais como: grandes enchentes, grandes secas, incêndios e queimadas duradouras, furacões, tufões e tornados portentosos, além de desastres produzidos como rompimento de barragens e construções de grandes empreendimentos em áreas indevidas. Embora muitos desse eventos certamente não pudessem ser totalmente evitados, certamente alguns deles poderiam ter tido seus efeitos minimizados, se tivéssemos tomado providências preventivas.

Agora mesmo, aqui no Brasil, estamos tentando nos reestabelecer da recente catástrofe no Rio Grande do Sul, onde mais de 90% do estado ficou embaixo de água. Mas, nos últimos 20 anos tivemos catástrofes e eventos terríveis, Mariana, Serra Fluminense, Brumadinho e vários outros. Até quando vamos continuar achando que está tudo bem? Até quando vamos continuar não nos importando e nem tentando prevenir tais situações? É preciso parar de brincar com a vida e só a humanidade, os seres humanos, pode tentar reverter esse processo que tem se ampliado, cada vez mais drasticamente.

Pois então, os seres humanos continuam de braços cruzados esperando a desgraça acontecer e as mortes chegarem. Depois que a tormenta passa contamos os danos da destruição, lamentamos muito rapidamente as vidas perdidas e seguimos nossa trajetória infeliz, até que a próxima catástrofe aconteça, como se fosse mais uma novidade. Muitas dessas tragédias são anunciadas e todos, ou pelo menos os “poderosos” sabem que elas vão acontecer. E eu pergunto: por que não fazem nada?  Por que não investem seriamente no trabalho para tentar impedir a destruição dos ambientes e a mortandade de outros seres humanos?

Todavia, estamos completando 52 anos em que alguns seres humanos perceberam que nem tudo está perdido e que, talvez, ainda seja possível, fazer alguma diferença com referência a essas questões ambientais. O medo maior é que até isso deixe de ser possível e aí o caos estará totalmente estabelecido e todos perecerão, inclusive os “seres humanos poderosos”, com sua arrogância e seu cinismo.

Será que a Terra será melhor sem a espécie humana? Esta é a pergunta que apenas Deus poderá responder. Por enquanto, continuamos seguindo em frente, embora, no caminho errado e “comemorando” essa data que, na realidade, deveria ter grande significado para a Humanidade. Vamos torcendo e pagando para ver até quando o planeta nos suportará e permitirá a nossa existência em suas dependências. Precisamos entender que a Terra é da Terra e não da nossa espécie.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (68) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor e Ambientalista.

06 maio 2024

O TEMPO, O TRABALHO E O TRIUNFO

Resumo: O artigo consiste numa reflexão a respeito da necessidade de trabalhar séria, efetiva e continuamente para conseguir o triunfo final. Sorte pode até existir, mas trabalhar e acreditar no trabalho, costumam ser atitudes mais eficazes para garantir o sucesso na vida.


A vida humana é comparativamente muito semelhante a um bordado, que é tecido ponto a ponto de maneira progressiva e gradual, sendo apenas acompanhada pela ação do tempo e obviamente pelo trabalho efetivo do tecelão. Independentemente dos acontecimentos externos que possam ser coincidentes, ou não, com a obra que está sendo desenvolvida, o tecelão trabalha e o tempo acompanha. Por outro lado, a vontade e a eficácia do trabalho de cada indivíduo que está realizando o bordado, o tecelão, independentemente do tempo, deve manobrar corretamente a linha e pontear perfeitamente a agulha para conseguir a eficiência esperada e o êxito da estampa final.

É claro que muitas vezes o tempo também acaba sendo uma motivação ou um problema, pois pode, por exemplo, trazer pressa ao resultado, o que normalmente não costuma ser benéfico, mas que também não é necessariamente maléfico. A velocidade maior ou menor, obviamente pode influir no resultado, mas isso não é uma certeza. Assim, o tempo, mais ou menos rápido, num primeiro momento, não costuma ser uma característica específica que vai determinar o resultado da obra. O que importa é o trabalho efetivo desenvolvido pelo seu autor do bordado.

Quer dizer, o tempo acompanha, porém, diretamente, ele não interfere no resultado. Não confie muito nos ditados populares que afirmam que: “a pressa é inimiga da perfeição” ou que “devagar se vai ao longe, porque às vezes a pressa ajuda, mas, muitas vezes também, devagar nunca se chega ao lugar desejado. Saiba trabalhar, respeitando o tempo, mas não se incomode muito com ele. Ou melhor, haja exatamente como ele age com você e sua obra, ou seja, não se preocupe com ele. Seja indiferente ao tempo, como ele é com você, porque ele não pode interferir diretamente no seu trabalho. O trabalho é seu e não do tempo. Assim, ele apenas acompanha, mas não pode interferir e nem modificar.

Entretanto, ainda que o tempo não possa interferir, sempre podem ocorrer outras tantas interferências no bordado. Por exemplo, o tipo da linha, a qualidade do tecido, a conformação da agulha e principalmente o pontear do indivíduo bordador, que nem sempre é exato e perfeito. Por conta dessas coisas é que, muitas vezes, a estampa não sai exatamente como havia sido planejada. O foco nesses detalhes do contexto do bordado e do trabalho do tecelão (artesão) são muito mais importantes para a conformação final e conclusão da obra do que a preocupação com o tempo.

Pois então, assim como num simples bordado, a vida de cada indivíduo depende em grande parte do próprio indivíduo (tecelão) e do material que ele usa na sua vivência e principalmente de como usa esse material, mas nunca diretamente do tempo.  Pode acreditar, mas o grande artífice de sua vida é você mesmo. Perfeita ou imperfeita, boa ou ruim, sua vida depende quase que exclusivamente de você. Sendo assim, você é seu próprio artesão (tecelão) do bordado que é a sua vida. O tempo apenas acompanha o processo, enquanto esse processo está acontecendo. No entanto, o que mais se vê por aí são os indivíduos (tecelões) reclamando e culpando o tempo por suas dificuldades, mazelas e seus insucessos ao longo da vida.

Coitado do tempo, ele é apenas um observador, que acompanha, de maneira atenta e exatamente igual, a tudo o que acontece. Assim, ele tem o mesmo efeito inofensivo em tudo e em todos os indivíduos.  O que pode variar é somente a maneira como ele é utilizado por cada indivíduo e, nesse caso, mas uma vez, essa também é uma questão pessoal e depende obvia e exclusivamente do próprio indivíduo e da maneira própria de como ele usa e controla o tempo. Reclamar do tempo não faz sentido, porque o tempo é igual para todos os indivíduos.

Aliás, talvez o tempo seja a única coisa que sempre é efetivamente igual para todos os indivíduos e o aproveitamento que o indivíduo faz do tempo que possui é o que realmente importa. Enfim, o tempo pode ser “bom” (aliado) ou “ruim” (adversário), dependendo do uso efetivo que o indivíduo faz dele, mas ele não atua diretamente sobre a ação. Deste modo, o tempo pode ser melhor ou pior, mas, certamente, independentemente da vontade de qualquer indivíduo, ainda que ele não interfira, ele sempre continuará passando. Portanto, não o despreze e procure usá-lo com a devida coerência e parcimônia.

Quer dizer, o bordado bom, como tudo na vida boa, é consequência de boas escolhas materiais, metodológicas e de um trabalho individual cuidadoso, bem desenvolvido e sobretudo, o mais preciso possível. Assim, é melhor parar de culpar o tempo e trabalhar direito e com precisão, pois, desse modo, as perspectivas serão sempre de resultados positivos. Siga diuturnamente nessa prática e suas obras deverão ser progressivamente sempre melhores. É óbvio que sempre existem riscos ocasionais e que ninguém tem certeza de nada até a conclusão da obra, mas o sucesso só será possível com trabalho e dedicação.

Por fim, é preciso estar atento e lembrar que o único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário e que o triunfo (sucesso total) está depois do trabalho. A vida certamente não é um dicionário estabelecido, ao contrário a vida precisa ser construída e escrita diuturnamente e ainda que o acaso (sorte) possa influir, certamente não é ele quem costuma decidir nada. Quer dizer, cada indivíduo constrói o seu próprio destino. Assim, ter sucesso e triunfar, obrigatoriamente, passam por ter vontade e trabalhar. O destino é, antes de tudo, uma opção escolhida, a partir de uma maneira concreta de encarar a vida. Escolha, determine e desenvolva bem o seu destino e muito provavelmente você terá sucesso e triunfará.

Contudo, deve ser ressaltado ainda, que o tempo, mesmo vindo antes do trabalho e do triunfo no dicionário, obviamente não tem nenhuma ação sobre eles e assim não pode condicionar e nem garantir a certeza do sucesso da obra de quem quer que seja. Isso permite afirmar que, se a interferência do tempo não existe em nenhum dos outros dois aspectos (trabalho e triunfo), nem mesmo no dicionário, então o tempo não pode, de maneira nenhuma, ser considerado culpado por nada que aconteça.

Por outro lado, é importante lembrar que o indesejável fracasso (contrário do sucesso) vem antes de todos, pelo menos no dicionário. Ou seja, não deixe que a prioridade léxica do fracasso possa ser significativa na sua vida. Entretanto, lembre-se que muitas vezes, na jornada da sua vida, o fracasso vai querer aparecer. Nunca se esqueça que você é o timoneiro e, na condução de seu destino, você deve estar convicto de que o fracasso não pode ter vez na sua jornada.

Em suma, se alguma coisa não acontecer como programado ou como você está desejando e se não há problemas metodológicos ou carência de materiais, com certeza a culpa é exclusivamente sua. O jeito é fazer um novo cálculo da rota e reinvestir. Isto é, se o bordado não sair a contento, a culpa é quase que exclusiva do fracasso pessoal e profissional do próprio artesão. Desta maneira, mude a linha, volte o ponto, refaça o traçado e insista de outra maneira, pois só você pode fazer isto, porque você é o único artesão (tecelão) da obra de sua vida. Cuide bem de sua vida, segure firme o timão e siga em frente. Tenha certeza de que agindo assim, o fracasso nem chagará perto de se apossar da sua vida e caso ele tente se manifestar, você sempre terá grandes condições de superá-lo e acabará ganhando a luta.

É claro que casualmente podem existir acidentes catastróficos e questões alheias aos processos, que muitas vezes atrapalham, mas essas coisas costumam ser tão raras na natureza e na vida, que é melhor deixá-las de lado na hora de pensar e de fazer a sua obra. Deste modo, pense positivamente e parta sempre do pressuposto que aquilo que você quer atingir, depende quase que exclusivamente de você e do seu trabalho pessoal. Ponha sua vontade, seu interesse, seu intelecto e toda sua competência criadora acima de tudo e acredite que vai dar certo, porque assim o resultado sempre tenderá a ser positivo.

O seu triunfo final (sucesso total) é sempre uma obra sua, ou melhor, do trabalho desenvolvido paulatinamente por você na sua obra. Por outro lado, é bom lembrar que, muitas vezes, o fracasso também é obra do desleixo do artesão. Assim, acredite sempre, trabalhe duro e não esmoreça. Diga não ao fracasso e tenha em mente que você até pode não conseguir realizar algo a contento, mas nunca por falta de interesse e foco. Lembre-se que você sempre será capaz de decidir em que lugar quer chegar, porque a possibilidade de imaginar sobre sua capacidade e interesse é absoluta é exclusivamente sua e você vai conseguir. Entretanto, nunca se esqueça que você precisa investir seria e intensamente e, sobretudo, acreditar muito nessa verdade.

Desta maneira, pare de culpar o tempo ou a falta dele por seus insucessos momentâneos. Trabalhe firme e faça bom uso do tempo que você tem, que as coisas certamente andarão de maneira positiva. Mas, não acredite cegamente na garantia de que as coisas vão acontecer exatamente como você imaginou que seria, porque sempre existe muita dificuldade no caminho e com você não será diferente.

Siga em frente, pisando firme, com os pés no chão, que tudo vai acontecer de maneira satisfatória. Acredite, em você, no seu trabalho e na sua capacidade de criar e de transformar as coisas à sua volta no seu interesse, visando melhorar a sua vida e a vida daqueles que lhe são próximos e que dependem de você. Haja assim, que certamente o sucesso estará logo ali na frente, esperando por você. Acredite, que vai dar certo e o seu triunfo, a vitória final, certamente chegará.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (68) é Biólogo (Zoólogo), Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista